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Leguminosas Forrageiras Arbustivas (Adaptado de Xavier e Castro, 2009) A exploração forrageira de leguminosas arbustivas com altas produções de matéria seca e elevado teor de proteína bruta constitui alternativa viável para suplementação alimentar de ruminantes, principalmente no período seco. Com esta finalidade, as espécies arbustivas, leucena (Leucaena leucocephala), guandu (Cajanus cajan) e cratilia (Cratylia argentea), por apresentarem tais qualidades, podem ser empregadas com sucesso. A seguir, algumas informações sobre essas espécies: 1) Leucena: é uma espécie perene de grande valor forrageiro, podendo ser utilizada sob várias formas, inclusive na arborização de pastagens. As folhas de leucena contêm em média 23% de proteína bruta e são altamente palatáveis. Em regiões com seca prolongada, é registrada queda acentuada das suas folhas. A leucena é exigente em relação à calagem e à adubação, principalmente de fósforo e micronutrientes; portanto, é imprescindível corrigir a acidez do terreno e fazer sua correta fertilização conforme a interpretação da análise do solo. 2) Guandu: planta de ciclo curto, caracterizada como leguminosa rústica, apresenta resistência à seca e tolerância à acidez do solo. Cultivado em todo Brasil, o guandu é usado não apenas na alimentação animal, mas também na humana, além de sua utilidade enquanto adubação verde. Como forrageira, exibe expressiva produção de matéria seca rica em proteína bruta, cerca de 20%, no entanto não é tão palatável aos ruminantes quanto a leucena. 3) Cratilia: de ocorrência natural em várias regiões do Brasil, essa espécie vem despertando interesse pela sua capacidade de produzir elevada quantidade de matéria seca rica em proteína durante o ano todo, demonstrando, assim, sua tolerância à seca. Na sua forragem é registrado teor de proteína bruta em torno de 21%. Outra característica importante desta leguminosa é a sua tolerância a solos ácidos e de baixa fertilidade. Alguns cuidados a serem adotados no estabelecimento destas leguminosas são baseados nas suas principais características, que estão resumidas na Tabela anexa. A época mais indicada para o plantio destas espécies ocorre no início da estação chuvosa. Para exploração sob corte, o espaçamento recomendado para leucena e cratilia é de 2 m entre linhas, com três sementes por cova e 0,50 m entre covas, enquanto para o guandu o espaçamento empregado é de: 1,0 a 2,0 m entre linha, com seis sementes por metro linear; quando explorado em sistema de pastejo, recomenda-se para o guandu espaçamento de 2,0 a 3,0 m entre linhas, com três sementes por metro linear. A leucena e a cratilia poderão ser estabelecidas nas pastagens em faixas de 2 a 5 m de largura, dependendo da topografia do terreno. A introdução da cratilia em pastagens, estabelecendo sistemas silvipastoris, constitui alternativa para o uso dessa leguminosa. O seu estabelecimento pode ser realizado em faixas intercaladas com faixas de árvores ou ao longo das faixas, promovendo proteção às árvores recém plantadas. Em pastagens já formadas, é recomendado o pastejo com a finalidade de manter rebaixada a vegetação existente, reduzindo a competição com as forrageiras herbáceas e melhorando, assim, o estabelecimento da leguminosa recém introduzida.
Totem 1 - DFXavier e CRTCastro - Leucena, guandu e cratilia - REPLe...

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Comentário de Carlos Renato Tavares de Castro em 11 outubro 2010 às 15:55
Prezado Odair,
já existem alguns estudos de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta cujo componente arbóreo/arbustivo é constituído por leguminosas, mas esses sistemas foram implantados a pouco tempo e conclusões sobre o melhor arranjo das espécies seriam ainda precoces.
Os ensaios envolvendo a associação de diferentes espécies (forrageiras herbáceas e espécies arbóreas/arbustivas) em diferentes arranjos espaciais são muito onerosos e os resultados conclusivos só são obtidos a médio/longo prazos, o que torna esse tipo de estudo ainda mais complexo.
Os arranjos das espécies arbóreas/arbustivas nas pastagens podem ser vários, desde que se tenha em mente que o sombreamento pode comprometer a produtividade forrageira.
Assim, quando os espaçamentos forem mais adensados será necessário manejar o componente florestal (desbaste e/ou raleio), de forma a minimizar a intensidade da sombra no sub-bosque.
A consorciação de pastagem com eucalipto e uma leguminosa é muito promissora; estudos comprovam que o plantio intercalado dessas espécies, na mesma linha, proporciona aproximadamente os mesmos benefícios que seriam obtidos se as espécies fossem plantadas em duas linhas paralelas. No entanto, cada caso deve ser analisado individualmente e os riscos decorrentes de generalizações são muito grandes.
Desconheço a exploração forrageira da crotalária, a qual não recomendo devido a essa leguminosa herbácea possuir em sua composição química um alcalóide que no fígado dos animais é convertido em uma potente toxina. Maiores informações sobre o uso dessa espécie como adubo verde podem ser encontradas em http://br.viarural.com/agricultura/sementes/pastobras/crotalaria-sp...;.
Não apenas concordamos contigo como também desejamos que esse espaço se torne, de fato, um excelente canal de comunicação entre pesquisa e extensão, posibilitando a troca de informações e experiências entre aqueles que geram a tecnologia e aqueles que as difundem.
Comentário de Odair Jose Geronimo em 3 julho 2010 às 19:48
Prezado Carlos Renato,
Gostaria de saber se existe algum trabalho sobre a implantação de leguminosas em sistemas de ILPF. Se existe qual seria o melhor arranjo. Seria ao longo da linha de eucalipto por exemplo? E a crotalaria, existe alguma possibilade de utilização para pastejo? Parabéns pelo espaço vai ser um espaço excelente de troca de informações entre pesquisa e extensão. Odair José Gerônimo - EMATER-MG/Capela Nova

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