Rede de Pesquisa e Inovação em Leite

Uma grande dificuldade que eu particularmente encontro na extensão, é a  desconfiaça do produtor em aderir as novidades apresentadas pelos extensionistas. Muitos ás vezes preferem não receber mais visitas do que se abrir ao novo!!

O que acham?

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Respostas a este tópico

Os produtores rurais possuem uma lógica diferente daquela do técnico. Suas condições de vida colocam elementos "novos" como premissas nas tomadas de decisão. Por exemplo: ele pensa na maior quantidade de trabalho que será necessário para executar uma nova tarefa (nova técnica). Pensa em quem da família irá subsituí-lo na propriedade; na falta desta pessoa não vale a pena investir. Os custos de manutenção, as dificuldades de acesso aos insumos e reparos nos locais onde vive o produtor também estão na balança para a sua tomada de decisão em adotar determinada tecnologia.

Acho que o técnico precisa ter um diálogo aberto com o produtor para tentar entender esta lógica, como pensa o produtor. Teoricamente diz-se que o produtor rural tem uma lógica de vida que não se enquadra no racionalismo econômico. Daí a nossa dificuldade em lidar com isso. Técnicos, enxergamos pela racionalidade econômica. Outro exemplo: alguns produtores possuem afetividade pelos animais do rebanho. O descarte das vacas abaixo de um padrão técnico é difícil por conta deste especto. No momento do descarte de animais, o embate entre o técnico e o produtor é inevitável.

Cabe aos técnicos fazer com que produtor enxergue sua propriedade como uma empresa, dai passamos a ter uma visão mais ampla do produtor de como devem ser tomadas as decisões em relação a sua propriedade, proporcionando assim uma melhor condição de trabalho ao técnico!!!

Olá, colegas, sou formado técnico em agropecuária a desessete anos, e vejo que nosso trabalho é muito importante, nós extensionistas que trabalhamos com produtores temos a missão de levar a eles as novas tecnologias disponíveis, mas sabemos da resistência que eles tem, não só eles, todo o ser humano tem certa resistência ao novo, existe uma desconfiança, será que funciona? Por isso, primeiramente, precisamos ganhar a confiança destes produtores, não podemos esquecer das dificuldades que eles enfrentam no seu dia-dia, muitas vezes, falta de recursos, problemas familiares, muitas vezes fizemos o papel de piscicólogos, estamos aí para ajudá-los.

Temos que mostrar a eles a realidade, as mudanças que ocorrem a cada dia mais rápidas, para que eles possam acompanhar essa evolução. A extensão rural e a pesquisa precisam andar sempre juntas, para que ocorra essa transferência de tecnologias. Sabemos da dificuldade que existe nas diversas regiões do nosso país, a falta de mão de obra, dificuldade de acesso a crédito, condições adversas de clima, mas estamos aí, todo dia tentando convencer os produtores a aderir a novas tecnologias, está é a nossa missão de extensionistas.

Um abraço a todos.

 Na relação entre produtor x técnico, acredito que nós técnicos, precisamos 1º entender o produtor, suas necesidades, seus objetivos, sonhos, desejos, suas alegrias, motivações, sua FAMÍLIA e principalmente sua aptidão. Passado esta 1º fase, penso que o próximo passo é entender a propriedede agrícola, ou seja, levantar alguns pontos importantes a ser considerado, por exemplo: sua localização, seu relevo, sua disponibilidade hidrica, sua aptidão agrícola, etc. E apartir desta lógica social definir com a FAMÍLIA algo técnico a nível de propriedade.

 Ao analisar a atividade de extensão, vejo que, na maioria das vezes agimos como impositores de tecnologias, como se estas, fossem a salvação ou as coisas mais corretas que se tem para evoluir, negando sempre que, do outro lada tem uma FAMÍLIA. 

 Aqui deixo uma questão para analisarmos, será que durante e após nossa formação não fomos induzidos a impor técnicas ao invés de disculti-las? será que não fomos treinados a impor nossa ideia técnica, sem perguntar a quem ia executar, se este realmente sentia-se bem com isso? 

Enio, eu concordo com você, com as etapas que mencionou e com o que disse a respeito do posicionamento do técnico. Eu acredito que nós, técnicos, somos moldados nas faculdades muito mais para aplicar uma tecnologia do que para conversar com as pessoas ou discutir e ponderar problemas para chegar a soluções viáveis.

Nos cursos técnicos em agropecuária, de agronomia, de zootecnia e de veterinária que conheço as matérias são quase que exclusivamente técnicas. Acredito que seja necessário incluir nos currículos sociologia, antropologia, psicologia, política. Quando o profissional recém formado sai para trabalhar no campo eu acredito que esta é a área com maior dificuldade: lidar com pessoas, com projetos pessoais. Não devemos esquecer que o extensionista desenvolve um papel político, participa de um jogo de interesses que precisa ser elucidado. É o que estamos fazendo aqui nesta discussão, de certo modo. Novas tecnologias para quem? Quais setores levam vantagem com a adoção de certa tecnologia? A organização de produtores é bom para quem? O técnico está sendo instrumento de quem? Não é para contestar e protestar, mas para conhecer onde ele(a) se insere no processo.

No processo de modernização da agricultura dos anos 1970 e 1980, por exemplo, os extensionistas participavam de um processo de governo em que a agricultura precisava fornecer mão de obra e insumos para a indústria, assim como consumir os produtos daquele segmento (máquinas e implementos, adubo, etc.).

   Olá, Willian, quero parabeniza-lo pelo modo como coloca sua visão técnica, tanto, na 1º postagem, assim como nesta ultima expressão em relação a questão que mencionei.

   Sou técnico agrícola, trabalho na EMATER/RS, tenho 12 anos de extensão rural e sempre procurei ver a agricultura e nossos agricultores como potencial para nosso país. Acredito nas tecnologias desenvolvidas pela pesquisa, e, em seus pesquisadores, poís, são eles que nos fazem evoluir e nos trazem questões para debate, etc.

   O que precisamos é entender, como extensionistas, qual é nossa função frente as tecnologias, a de agir como impositores destas ou usa-las como intrumento de crescimento?

   És muito feliz quanto coloca a questão: - Novas tecnologias p/ quem? - Este é o ponto crucial p/ o extensionista, saber quem de fato estamos ajudando, o produtor e sua FAMÍLIA , p/ que este cresça e realmente participe do mercado agrícola, ou as empresas, p/ que aumentem seus lucros e logo transformem uma FAMÍLIA em público da cidade?

   Quero parabenizar nosso colega Romulo Aguiar, por levantar a questão, a qual, nos oportuniza grandes debates.

Obrigado a todos pela contribuição!!!!!

Bom dia a todos! Trabalho com consultoria. Somos coordenadoresde um programa chamado Projeto Ouro Branco, em Miradouro-MG que atua junto a agricultores familiares na produção de leite. Hoje abraça a questão de produção juntamente com questões sociais. Tivemos semana passada um evento com coordenação do núcleo de Transferência de Tecnologia CNPGL-JF (www.miradouro.mg.gov.br). O desejo é que a difusão da tecnologia arrombe as portas do governamental e muitos outros profissionais liberais e empresas particulares tenham acesso facilitado a ela. Isto somando-se as oficiais ou governamentais, que já procedem com a ação. Nossa região tem pouca participação em eventos de TT. A cultura ainda não está implantada nos produtores ditos "formadores de opinião", que funcionam como uma trava. Assim o acesso a tecnologias vindas direto de empresas vendedoras, cujos aportes lhes permitem agressividade na oferta, muitas vezes são privilegiados. Estamos para transformar!!!

Desde 2005 estamos imaginando um encontro somente de extensionistas em nossa região. Isso sem patrocínio que seja intervenção no conteúdo. Temos a Embrapa em JF que poderá nos dar o suporte para fazê-lo com foruns presenciais multiplos. Acreditamos que um dia vai acontecer.

Sou tecnico do programa balde cheio na região da zona da mata de MG,realmente existe uma grande barreira cultural entre o produtor e o tecnico,principalmente na atividade leiteira pois na maneira de pensar do produtor ele já vem de uma família onde seus antepassados tambem eram produtores de leite e se passou o conhecimento de pai para filho.E quando se coloca a sua frente um profissional qualificado por uma escola ou centro de pesquisa e que na maioria das vezes seus metodos são questionados por estarem ultrapassados há uma reação negativa muito grande pois pelo fato de trabalharem a vida toda em função do preço do leite que sofre uma variação muito grande durante o ano visualisam o tecnico como fonte  de despesa.Mas se o tecnico conseguir provar para o produtor que trabalhando para produzir o leite com baixo custo a variação de preço não vai ser mais um fator de risco então posso dizer por experiencia própria que as tecnicas serão benvindas e aplicadas com muito afinco. 

Olá pessoal, falo aqui da região serrana fluminense, os produtores de leite daqui são diversificados quanto a adoção de novas práticas na atividade leiteira, uns levam anos para se convencerem e se inclinarem para uma nova tecnologia, até mais por realmente fazer o mínimo para que possa ter um incremento em sua produção; muitos se empolgam com uma tecnologia que apareceu no programa tal, e o vizinho deu início, o ponta pé inicial, daí vem te procurar em bando. Outros são sinceros, querem realmente fazer a coisa acontecer, fazem tudo certinho no tempo deles ( recursos financeiros e humanos ), podem levar tempo, mas quando sentem o incremento na produção saltar, ficam felizes, pois está dando certo, depois de intenso trabalho e suor. Prestar assistência e fazer extensão para este público é muito proveitoso e é uma profissão boa, a desconfiança ( assunto do tema ) se existe finjo não saber, vejo nos olhos e comportamento do sujeito que ele sabe que eu sei que me observa com a tal desconfiança, à vezes, mas acho engraçado, pois já vi os camaradas se mandarem para a virada da vertente da propriedade e a esposa dizer que manél tá roçando lá na virada da vertente eheheh, acontece, mas quando vejo esse mesmo camarada vir depois me procurar em meu escritório aí dou risada hahahahah. O tempo na roça é um fator muito importante para  eles. 

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