Rede de Pesquisa e Inovação em Leite

Este tópico visa a discussão sobre alimentos e alimentação de rebanhos leiteiros. Já existem algumas discussões na REPILEITE sobre Cana de Açúcar, uso de subprodutos e valor nutritivo de forrageiras. Por ser um assunto recorrente criamos este tópico de discussão.

Iniciamos o tópico disponibilizando dois livros publicados pelo Prof. Lúcio Carlos Gonçalves, Prof. Iran Borges e o Med. Veterinário MS.c Pedro D. S. Ferreira da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais.

Clique para download do Livro Alimentos para Gado de Leite


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Tags: Download, alimentação, alimentos, bovinos, gado de leite, leite, leiteiro, livro

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Respostas a este tópico

É notável a grande disponibilidade de alimentos regionais alternativos para a alimentação dos rebanhos leiteiros no Brasil. Um dos exemplos são os coprodutos da fruticultura que apresentam composição nutricional variável. De uma forma geral os coprodutos de manga, mamão, maracujá, graviola e jaca, destacam-se pelos melhores valores nutricionais. Os intermediários são: coco, maracujá, melão e caju, já os coprodutos de goiaba, acerola e uva apresentam limitações de uso.

A publicação da Embrapa Semiárido (arquivo disponível abaixo para download) disponibiliza informações sobre os principais coprodutos da fruticultura.

Clique para o download da publicação sobre coprodutos da fruticultura

Anexos

Já li alguns trabalhos a respeito. Uma alternativa bastante viável.

Cana de açúcar na alimentação de gado de leite

O Brasil  é o maior  produtor mundial  de cana de açúcar (Saccharum officinarum).
A cana de açúcar tem várias características que justificam sua utilização na alimentação
de  ruminantes,  dentre elas:  o alto  teor  de  sacarose,  o moderado  teor  de  fibra  insolúvel  em
detergente neutro (FDN), a alta produção de matéria seca por unidade de área mesmo com baixa
frequência de cortes,  a simplicidade do cultivo agronômico,  a  relativa  resistência a pragas e
doenças,   a   facilidade   de   compra   e   venda,   o   caráter   semiperene,   além  de   ser   uma   cultura tradicional entre os produtores rurais brasileiros.


O fato de atingir o máximo valor nutritivo durante o período seco do ano,  quando a
disponibilidade   de   forragem  é   baixa,   tem  impulsionado   sua   divulgação   como   forrageira
adequada para cultivo em fazendas que utilizam pastagens e que visam minimizar  o uso de
tempo e capital em práticas de ensilagem.


Porém, a  cana   de   açúcar,   como   alimento  básico  para   ruminantes,   apresenta   limitações  de
ordem nutricional, devido aos baixos teores de proteína e minerais, e ao alto teor de fibra de
baixa degradação ruminal.



Quais são as vantagens e dificuldade que vocês encontram na utilização da cana de açúcar como alternativa de suplementação de volumoso na época da seca?

No planejamento alimentar de um rebanho, a cana com ureia é uma das estratégias de suplementação volumosa mais eficientes. Mas é notável o aumento da representatividade da mão de obra no custo de produção de leite. O uso da cana requer mão de obra diária e este é um dos fatores que pode impactar na eficiência da cultura da cana de açúcar como opção de volumoso suplementar.  

GLICERINA - UMA NOVA OPÇÃO PARA A SUPLEMENTAÇÃO DOS REBANHOS LEITEIROS

Para cada tonelada de óleo processado na fabricação do biodiesel são gerados aproximadamente 100 kg de glicerina. Pesquisas têm demonstrado o potencial de utilização da glicerina para a alimentação de rebanhos leiteiros. Já pode ser encontrado no mercado glicerina para alimentação animal autorizada pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento.  Trata-se de um alimento que pode substituir parcialmente os concentrados energéticos, como o milho.

 

Exerimento com glicerina para vacas em lactação na Embrapa Gado de Leite

 

 

Glicerina misturada ao volumoso e concentrado

Caros leitores, precisamos retomar a conversa sobre o uso de fontes alternativas de alimentos na alimentação de animais ruminantes, lembrando que os preços das commodities são, às vezes, traiçoeiros para o produtor de leite, que nem sempre estão prevenidos para isso. Sempre será prudente o produtor contar com uma alternativa na mão.

As colocações dos pesquisadores da Embrapa são oportunas e devem ser aprofundadas por todos, mesmo considerando o regionalismo na produção de alguns sub ou coprodutos. O uso da polpa cítrica, por exemplo, muito discutida no passado, constitui uma boa alternativa alimentar, mesmo considerando sua produção localizada, o caroço de algodão, o uso do bagaço de cana hidrolisado, também deve entrar em pauta, entre muitos outros que poderia citar.

Na alimentação volumosa o mesmo se repete. Quantas alternativas têm para a silagem de milho? Como andam as silagens de capins e seus aditivos comerciais que prometem tudo e às vezes não acontece nada. Devemos insistir em pesquisas com silagem de capim, de cana de açúcar, onde alguns defendem e outros atacam como sem sentido pelo fato de perder a principal característica que é a preservação em pé durante a estiagem?

Prezados(as):

Retomando as discussões levantadas pelos colegas da Embrapa Gado de Leite, vejo que realmente temos de ter uma discussão bastante aprofundada sobre o tema. O uso da cana de açucar como suplemento volumosso na época seca do ano é uma realidade em muitas regiões do país. Trata-se de volumoso com alto teor de fibra, mas com grandes vantagens em termos de volume de produção, facilidade de manejo, custo muito menor do que o para se produzir silagens de milho, sorgo ou de capim etc. No entanto, existem alguns questionamentos de alguns colegas sobre o futuro do uso da cana na alimentação animal, uma vez que o custo da mão-de-obra é crescente e a disponibilidade da mesma é cada vez menor. Será que os equipamentos de colheita mecanizada de cana irão evoluir de moda a possibilitar facilidade de colheira a baixo custo? Será que selecionaremos variadades de cana mais adequadas à alimentação animal ? A cana hidrolizada realmente faz sentido? etc. etc. Acho que estes e outros gargalos precisam ser resolvidos ou esclarecidos para que a cana possa continuar sendo recomendada ao nivel que sempre o foi. E eu acredito na viabilidade da mesma como suprimento volumoso de vacas leiteiras até certo nível de produção. Os questionamentos do Dr. Duarte também são muito pertinentes. Precisamos trabalhar de forma ousada em novas opções de volumosos para vaca em lactação, visando propiciar ao produtor de leite opções adequadas para que ele possa se manter na atividade tendo lucro e satisfação.

 

Abraços,

 

Rui 

senhores 

em qualquer situação tecnológica a variável econômica precisa ser considerada. A tecnologia da cana de açucar precisa ser repensada na atual conjuntura econômica do nosso país. Estamos numa situação de quase "pleno emprego". A mão de obra rural, além de cara ficou mais exigente e escassa. Em relação há 10 anos atrás, hoje gastamos uma quantidade de leite três vezes maior para pagar o valor de um salário mínimo. De cerca de 180 a 200 litros em 1995 hoje gastamos cerca de 640 litros de leite para pagar um salário mínimo. Ademais, atualmente poucas fazendas conseguem contratar mão de obra pagando apenas o salário mínimo. Nesta situação é complicado usar cana de açucar na propriedade leiteira. Cortar e moer cana, acredito eu, é um dos serviços mais árduos e complicados em uma fazenda de leite. Neste caso quanto precisamos pagar para nossos colabores rurais para aceitar este serviço? O custo final da unidade energética (útil) oriunda da cana de açucar precisa ser melhor avaliado e comparado com o custo final da mesma unidade energética oriunda da silagem de milho. O custo final de uma tonelada de cana de açucar, moida e colocada no cocho da vaca, não está muito diferente do custo final de uma tonelada de silagem de milho. Arrisco até a dizer que a cana produzida com baixa tecnologia agronômica tem custo de produção mais alto do que o da silagem de milho produzida com média a alta tecnologiana. Lembrem-se que a primeira é altamente dependente do trabalho humano. A silagem de milho é dependente do serviço mecânico. Quando se introduz neste raciocínio o valor nutricional de uma e da outra, a coisa se complica mais ainda para o lado da cana. Ensilar cana é outra questão complicada. Separando o custo da lavoura, o custo do processo de ensilagem da cana é seguramente mais alto do que o custo da ensilagem do milho. Ademais, no caso de ensilar cana, estamos desconsiderando uma de suas principais vantagens comparativas: a do "silo em pé". E para os pequenos produtores de leite? Aqueles com menos de 10 vacas e com menos de 10 litros diários cada uma? Neste caso a cana funciona? Mesmo assim continuo achando que a cana não funciona. Pensem numa coisa: pequenos produtores de leite ainda sobrevivem em sua atividade porque complementam sua renda com outras atividade, seja rural ou não. O leite ocupa apenas uma parte do seu dia. Geralmente até as 8 horas da manhã. E para isto ele precisa levantar cedo ordenhar as vacas rapidamente ficar liberado para a outra atividade complementar de sua renda. Cortar e moer cana lhe toma muito tempo. Pra ele, na minha percepção e economicamente raciocinando, a melhor opção continua sendo a silagem de milho. Finalmente: Acredito que cana de açucar tem ainda seu lugar na pecuária de leite, no entanto, para ser usada em países onde o custo real da mão de obra ainda não atingiu os patamares de nosso país. Este é meu ponto de vista particular. Não traduz necesariamente a opinião oficial da instituição onde trabalho.

João Cesar de Resende, pesquisador, engenheiro agrônomo, economista e produtor rural

O Núcleo Reginal Nordeste da Embrapa gado de Leite está apoiando a realização de uma série de experimentos com forrageiras e alimentos alternativos da região com o objetivo de ampliar os conhecimentos sobre a sua utilização, propor a formulação de dietas de máximo benefício bioeconômico e aperfeiçoar o manejo nutricional dos rebanhos nas principais bacias leiteiras da região Nordeste:

- Avaliação de genótipos de palma resistentes a cochonilha do carmim para alimentação de vacas leiteiras;

- Genótipos de milho, sorgo e milheto para produção de silagens no semiárido;

- Silagem da raiz de mandioca como alternativa ao milho para alimentação de rebanhos leiteiros;

- Forrageiras com elevados teores de proteínas como alternativa para a redução da necessidade de concentrados protéicos na dieta de vacas leiteiras (gliricídia, moringa, maniçoba, leucena, atriplex e cunhã).

Um abraço a todos.

André Luis Alves Neves

Gestor Núcleo Nordeste

Prezados, bom dia!!  Esta discussão esta muito interessante, e acho muito apropriadas as colocações do Dr. Resende, mas faltam os números, quantificando o lucro ou a rentabilidade de cada alternativa. No livro Produção de leite e Sociedade tem um capítulo de Paulo Henrique Guimarães, Cap. 20, sobre Aspectos econômicos da produção de volumosos, onde apresenta resultados (simulações) do Dr. Nussio, para vacas de 15 e de 25 litros/dia, nos quais o retorno (R$) por ha foi maior para a silagem de capim elefante, seguida pela cana, e a silagem de milho ficava atrás de várias outras alternativas. O trabalho é de 1998 e os valores podem não mais vigorar, mas o conceito continua válido: decidir com base nos números. O livro pode ser acessado gratuitamente no meu site www.fernandomadalena.com ou adquirido na Escola de Veterinária para quem prefere ler no papel.

Outros aspectos de alimentação e sistemas de produção, relacionados com esta discussão, são também abordados por vários autores no livro, como produção de leite estacional e economicidade da produção em pastagens irrigadas. dentre outros. 

Abçs

Fernando Enrique Madalena

Boa tarde a todos!

Concordo com o que foi abordado pelos participantes que a tomada de decisão de quais alimentos utilizar dentro do sistema de produção deve estar associada a viabilidade econômica e a rentabilidade. Fica a sugestão para atualizar essas simulações com dados atuais.

Para isso, temos que ter as informações técnicas associadas para tomada de decisão: quais animais serão alimentados (categoria, raça, produção, etc..), localização (temperatura, índice pluviométrico, fertilidade de solo, disponibilidade de co-produtos), mão de obra (disponibilidade, custo), entre outros aspectos.

Em relação ao alimento, a cana de açúcar é uma alternativa de volumoso de grande potencial para produtores. A dificuldade do corte diário é uma realidade da mesma forma que a própria produção de leite também tem essa particulariedade, pois não existe final de semana, feriado, férias, vaca tem que ser ordenhada todo dia. Temos que avaliar cada realidade para tomada de decisão.

Uma alternativa seria fazer silagem de cana, porém existem pontos de vistas divergentes em relação a isso. Gostaria de saber a experiência de vocês, que tem trabalhado com silagem de cana. Quais resultados vocês tem encontrado? Acreditam que essa realmente é uma alternativa?

Dando continuidade à discussão, gostaria que acrescentassem a possibilidade de melhoria dos equipamentos para realização do corte da cana de açucar. Se houvesse melhoria nos sistemas de colheira mecanizada, incluindo corte, desintegração e inclusão da mistura ureia + sulfato acho que poderiamos melhorar em muito as possibilidades de utilização da cana de açucar, pela sua alta vantagem competitiva em termos de produção. Vejam vocês que visitei propriedades que produzem silagem de milho, silagem de sorge e cana de açucar. A cana bem manejada produz mais de 200 t/ha. Assim, em minha avaliação, acredito que para produções médias de leite até 15 kg/vaca/dia, a cana de açucar ainda é altamente viável economicamente.

Lamentavelmente, nos faltam números atualizados, conforme nos informa o nobre Prof. Fernando Madalena.

Assim, resta-nos procurar criar um banco de dados, contendo informações utilizando as diferentes opções, delineadas de forma à possibilitar testar hipóteses científicas,  para termos avaliações mais consistentes, orientando melhor nossa tomada de decisão.

 

Abraços,

 

Rui da Silva Verneque

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