Rede de Pesquisa e Inovação em Leite

TEXTO PARA O MILK POINT no dia 13/12/2011

Senhores;

Acontecendo mais esse adiamento da IN 51, só nos resta acreditar que nós brasileiros somos portadores dos sistemas imune e digestivo mais avançado do mundo civilizado (civilizado?). Podemos ingerir produtos de péssima qualidade (é essa a classificação do leite "spot" e/ou obtido fora das especificações da IN 51) e continuamos incólumes. Tem, salvo engano,  nove anos que nós produtores especializados, que produzimos uns 80% de todo o leite, vimos trabalhando arduamente para dispormos para a população um leite de qualidade e agora para garantir o ganha pão dos que produzem os 20% restantes vamos ter de continuar ingerir leite sem qualidade? E pior, avalizado pela Embrapa até 2016. Só pode ser brincadeira de engravatados.

Bom seria que esses engravatados visitassem creches, postos de saúde, hospitais, consultórios médicos e assemelhados e verificassem a grande quantidade de doenças e ocupações de leitos devido a ingestão de leite sem qualidade. Essa prorrogação vai garantir o ganha pão de muitos, é verdade, entretanto os malefícios serão para muito mais, a Saúde que o diga.

O maior problema é com a UFC que depende só de bucha e sabão (produtos baratos), ou seja ,limpeza e higiêne, vão negar isso aos brasileiros? Se o Estado não cumpre sua parte na educação a sociedade vai corroborar, vai contemporizar com a ignorância?

As mudanças acontecem pelo  AMOR ou pela DOR, a parte do AMOR ja foi exaustivamente feita, agora a solução é pela DOR, se é que o objetivo seja realmente que produzamos um leite de qualidade.

Essa é a opinião de um médio produtor de leite que trabalha incansavelmente ha 33 anos para produzir leite com qualidade e que acreditou que haveria normas sérias para produzir um alimento tão nobre, consumido principalmente por crianças e idosos.

Obrigado

Gilson Gonçalves Costa - Produtor de Leite, Engenheiro Agrônomo e Presidente da "Nata do Leite" em Itaberaí-Go

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Prezado Geovando, boa tarde!

A grande polêmica em torno desse assunto é que não há posição certa, nem verdade absoluta. Tanto quem é a favor, quanto quem é contra o adiamento da IN51, tem argumentos bastante fortes.

A proposta da Embrapa é a redução gradativa dos parâmetros de CCS e CTB até 2016, quando alcançaríamos o padrão de grandes países produtores (100 mil ufc/ml de CTB e 400 mil céls/ml de CCS). Vários desses países tiveram seu processo de melhoria da qualidade do leite feito desta maneira gradativa. O Canadá, por exemplo, iniciou este trabalho na década de 80, e estabeleceu uma redução de 50 mil céls/ml a cada ano; até o limite de 500.000 céls/ml, que é o utilizado atualmente na maioria das suas províncias. Eles levaram quase 20 anos para atingir o padrão esperado.

O produtor que se empenhou nesses últimos anos (desde 2002, quando a IN51 entrou em vigor) não perde. Muito pelo contrário, ele já está a frente da maioria e sendo beneficiado. Como? Ora, se ele conseguiu reduzir sua CCS, o rebanho está mais produtivo, ele gasta menos com medicamentos e com o descarte de vacas. E se ele vende o leite para uma empresa que paga por qualidade, maior ainda é sua rentabilidade.

Quem abraça a causa da qualidade e melhora os índices de CCS e CTB não quer jamais voltar atrás. Este produtor já sabe dos benefícios de se produzir um leite de alto padrão. E o fato da IN51 estabelecer seus padrões mais rígidos agora em 2012 ou em 2016, não faz a menor diferença para quem conhece os benefícios da produção de um leite com qualidade.

Acredito que o mais importante é pensarmos que, adiando ou não, um normativa no papel não resolverá sozinha os problemas de qualidade. A IN51 apenas estabelece quais os critérios mínimos de qualidade. Mínimos. Quanto melhor a qualidade do nosso leite, maior será o nosso crescimento como país produtor e exportador. A proposta da Embrapa não é apenas de adiamento. Ela vem acompanhada de uma séria de ações paralelas que precisam ser colocadas em prática urgentemente, pelos responsáveis por cada uma delas. Precisamos arregaçar as mangas: governo, indústria, laboratórios de qualidade do leite, instituições de pesquisa, de extensão, técnicos, produtores e consumidores.

Não há culpados: há responsáveis. E para estas ações, aí sim, já passamos da hora de começar. Não há mais prazo para adiarmos o trabalho, a missão e a responsabilidade que cada um de nós tem com o crescimento e desenvolvimento desse país.

Grande abraço a todos!

Letícia.

CARO GEOVANDO,

AS COLOCAÇÕES DA DRA LETÍCIA SÃO PERFEITAS E MUITO ESCLARECEDORAS PARA TODOS QUE, SEM CONHECEREM A ÍNTEGRA DA PROPOSTA, PRÉ- JULGARAM A PROPOSTA DA EMBRAPA COMO DESFAVORÁVEL A ALGUNS. NO FUNDO SABEMOS QUE A DEFINIÇÃO DE QUALIDADE NA VERDADE É O CONSUMIDOR QUE DETERMINA, SERÁ A PALAVRA DELE QUE INFLUENCIARÁ A MAIOR OU MENOR RAPIDEZ COM QUE A INDÚSTRIA SE AJUSTARÁ A NOVA REALIDADE. A EMBRAPA  APENAS CONTRIBUIU COM O SETOR PARA QUE O PROCESSO FOSSE MAIS SOCIAL E DEMOCRÁTICO.

 

ABRAÇO,

 

DUARTE VILELA 

Prezados,

o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publicou a Instrução Normativa 62, que substitui a Instrução Normativa 51. Está disponível no blog abaixo:

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publica a Instr...

Olá para todos!

Letícia, muito boas suas considerações. E como você bem colocou, não existem culpados e sim responsáveis. Se cada um fizer sua parte conseguiremos atingir os padrões estabelecidos. De acordo com dados apresentados no diagnóstico da FAEG para produção de leite, 69,3% dos produtores do estado de Goiás não utilizam a caneca telada para identificar a mastite. Esta porcentagem é de 91,5% para os produtores de até 50 litros de leite/dia (que representam 19,4% dos entrevistados) e 79,7% para os produtores de 50 a 200 litros de leite/dia (que representam 79,7% dos entrevistados). Estes dados mostram que melhorar a qualidade do leite será um grande desafio mas também indicam que temos potencial para aumentar a produção de leite do nosso estado. 

Abraços,

Pricila

Oi Pricila!

Os dados que você citou são muito interessantes! Acredito que podemos extrapolar essa realidade para muitas regiões. E fico pensando: a cadeia do leite, de maneira geral, tem uma imensa preocupação em aumentar as exportações, implantar nas propriedades tecnologias de ponta, etc. Mas nem o dever de casa, o básico, o "arroz com feijão", temos feito adequadamente. Como você disse, o desafio é grande, mas o potencial de crescimento também é! E isso é que nos dá forças para continuarmos firme nessa empreitada.

Aonde podemos encontrar esses dados da Faeg na íntegra? Eles estão disponíveis no site?

Um abraço e boa semana!

Letícia.

Olá Letícia,

Você pode encontrar no site da FAEG ou acessar o link abaixo.

http://www.milkpoint.com.br/pdf/DiagnosticodaProducaode%20LeitedoEs...

Abraço e boa semana pra você também!

Pricila

 

Fazer leis é mais simples do que executa-las.

O problema da qualidade do leite está sendo resolvido aos poucos, e muito esforço ainda será gasto, isso se quisermos que em 2016 estes parâmetros sejam alcançados, caso contrário nova prorrogação vai ser necessária.

O pequeno produtor é o que predomina no Brasil, e infelizmente alguns deles não levam a sério e não encarram a atividade como sendo uma empresa, porém associar nível tecnológico e qualidade do leite é perigoso, pois são coisas independentes, é possível tirar leite com qualidade utilizando ordenha ao pé, e não é impossível encontrarmos fazendas de grande portes sendo alvo de ccs e cbt altos, devido ao não acompanhamento das boas práticas agropecuárias. 

Entendo perfeitamente a sua opinião Geovando, mas não podemos generalizar, tenho visto trabalhos de profissionais dando ótimos resultados a nível de campo, porém o trabalho é árduo e deve ser monitorado constantemente, pois estamos lidando com pessoas de diferentes classes, histórias e formações. Cabe ao profissional levar a informação, porém cabe ao produtor executa-la, e na prática, um produtor que não colabora com a melhoria da qualidade do leite, pode ter certeza que este está sim sendo excluído do mercado, aquele velho chavão que "o meu pai tirava leite assim ", está caindo por terra.

A questão de doenças está mais relacionado ao leite informal, daí sim eu concordo que a lei deve ser BEM mais rigorosa. Agora, o leite formal, o laticínio só o recebe na plataforma se este o desejar, porém o mercado spot pode abrir brechas para empresas que não se importam tanto com o quesito qualidade e bem estar do consumidor final. 

Repetindo o que foi citado pela Letícia, se a normativa In51 acabasse hoje, as empresas não voltariam atrás em relação aos programas de qualidade do leite,  pois esta é a que tem o maior interesse deste quesito, sendo pelo rendimento dos produtos, produção de queijos finos, tempo de prateleira, processos fermentativos, aspecto sensorial do produto final entre outros parâmetros. Em relação ao produtor, os que tem trabalhado de maneira sábia com a qualidade do leite e gestão da atividade,tem obitido retorno econômico a médio e longo prazo.

Portanto, cabe a nós profissionais educarmos os produtores, pois, melhor que dar o peixe, é ensinar a pescar.

Um abraço a todos.

Marcel Gomes Paixão

Zootecnista

Mestrando em Ciência dos Alimentos - UFLA

Pricila, obrigada pela resposta!

Marcel, temos observado frequentemente o que você muito bem colocou: pequenos produtores, de baixo nível tecnológico com leite de excelente qualidade; e grandes produtores, de alto nível tecnológico, com problemas graves de CCS e CTB. Para mim, esta é uma das provas de que a qualidade depende muito do esforço e trabalho árduo de cada um.

Abraço a todos!

Letícia.

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