Rede de Pesquisa e Inovação em Leite

O DIA DA INOVAÇÃO
 
Criada nos EUA em 2001, o Compost Barn foi trazido ao Brasil em 2013, pelo Prof. Fernando Laranja e se propaga rapidamente entre nós. Os compostos em operação nos Estados do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Goiás já ultrapassaram a barreira de mil instalados. No auge da greve dos caminhoneiros, no dia 26 de maio estive na Fazenda São Pedro, em Bom Despacho-MG, na inauguração do primeiro Compost Barn do Brasil movido a energia solar. Não tenho notícias que haja outro no mundo e tenho certeza que será a grande onda tecnológica do leite a partir de agora.
 
Os resultados da Fazenda São Pedro são arrebatadores. Após a instalação do Compost Barn, ainda sem energia solar, em apenas um ano a produtividade do rebanho cresceu 42%, medida em produção por vaca/dia, e o custo com alimentação caiu de 53% para 42% do custo total. Os casos de mastite no rebanho eram de 17 por dia e caíram para apenas dois por dia. Mas, o custo da energia na fazenda cresceu, pois o consumo total de 8 mil subiu para 23 mil kWh/mês. Portanto, praticamente triplicou. Ainda assim compensou, já que a produtividade aumentou em sete litros por vaca/dia. Todavia, sem o Compost Barn o custo da Energia Elétrica de toda a fazenda era de R$ 4 mil por mês. Com ele, foi para R$ 12 mil/mês.
 
Então, a Fazenda São Pedro inovou na já inovadora tecnologia do Composto. Os ventiladores passaram a ser movimentados à base de energia solar, gerada por células fotovoltaicas. Como a capacidade de geração é maior que o necessário para movimentar os ventiladores, o excedente é usado no restante da fazenda, que ficou autossuficiente a partir de agora. A Fazenda não tem necessidade de comprar energia. Pega emprestado da Cemig nos momentos em que não há sol e devolve quando o sol brilha no horizonte. Sem a energia solar, em média, uma vaca gastava R$ 0,60 de energia por mês. Agora, considerando todos os investimentos feitos, gasta apenas R$ 0,15. Isso, sem contar a elevação do custo da energia neste mês de junho, que subiu 19% de uma só vez.
 
Na Inauguração, estiveram vários produtores lendários, por serem inovadores. Um deles era o senhor Geraldo Mesquita, da fazenda Canoas, Luz - MG. Ele começou a fazer seleção de Gir para leite em 1973. Portanto, três anos antes da criação da Embrapa Gado de Leite, onde surgiu o Gir Leiteiro, fruto do programa de melhoramento desta raça, que começou apenas 12 anos após o senhor Geraldo ter iniciado a seleção genética na sua fazenda. Sua propriedade participa do programa de melhoramento da raça Gir Leiteiro, que a Embrapa Gado de Leite lidera.
 
Outro personagem inovador presente foi o ex-ministro Alysson Paulinelli. Ele fez uma palestra contando como começou a Embrapa Gado de Leite em Coronel Pacheco, em 1976. Com riqueza de detalhes, descreveu como planejou, buscou apoio e executou algo que parecia impossível, que foi se valer da pesquisa, por meio da criação da Embrapa, para viabilizar a revolução do cerrado brasileiro, via Minas Gerais. Com sua liderança, somos hoje o único país tropical que domina a tecnologia de produção neste tipo de bioma. Sem esta inovação, os países que importam alimentos e fibras do Brasil teriam dificuldades de abastecimento e os que não importam de nós iriam conviver com preços mais elevados, já que o Brasil é formador de preços no mercado internacional. Sem a produção vinda do cerrado brasileiro, os preços vão lá nas alturas.
 
A fazenda São Pedro é de propriedade do Jacques Gontijo, que tem toda uma trajetória de inovador. Com ele e com o estimado professor Sebastião Teixeira Gomes, fizemos a primeira metodologia de reajuste de preços de leite, que vigorou como lei até o Governo Collor, quando os preços deixaram de ser tabelados. Ele foi o responsável pela engenhosidade que permitiu a Itambé ter sócio privado, mesmo sendo cooperativa. Foi ele que liderou a modernização da Itambé há dez anos, desenhada pelo professor Vicente Falconi, o consultor de empresas brasileiro mais conhecido e respeitado em todo o mundo. Foi ele também um dos pioneiros do cooperativismo de crédito, hoje um sistema sólido e com capilaridade. Em 2010, ele e eu construímos uma proposta para viabilizar crédito especial para inovação na propriedade rural e levamos ao presidente do BNDES. Em 2012, o ligadíssimo Valter Bianchini, então secretário de Agricultura Familiar, encampou esta proposta e a levou para onde realmente se decide no Governo, ou seja, Ministério da Fazenda e Casa Civil. Esta foi a origem do Inovagro, linha de crédito do BNDES criada em 2013 e que permite o produtor investir em inovação na sua produção. Também, junto com a equipe da Embrapa, fizemos o Gepleite, o mais inovador aplicativo de gestão financeira de propriedade leiteira.
 
No dia 19 de outubro é comemorado o Dia Nacional da Inovação. Pois, neste 26 de maio, junto a Geraldo Mesquita, Alysson Paulinelli e Jacques Gontijo, três lendas vivas da inovação do agronegócio do leite brasileiro, tive o meu particular e inesquecível Dia Nacional da Inovação no Leite.

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