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Cautela é a palavra que define o comportamento do consumidor brasileiro em 2018. Isso é o que diz o estudo Consumidores e Categorias, desenvolvido pela Kantar, que avaliou o consumo de 70 categorias de produtos, consideradas categorias de alto giro, comercializadas no autosserviço brasileiro (inclusive derivados do leite). Para isso, foram acompanhados semanalmente 11,3 mil domicílios em todo o Brasil.

Em 2018, em média, o brasileiro foi 83 vezes aos pontos de venda, uma queda de 28% em relação ao ano anterior, mas aumentou o seu tíquete médio (valor gasto em cada compra) de R$ 37,00 para R$ 50,00. Com isso, o gasto médio anual manteve-se relativamente estável: R$ 4.251,00 em 2017 e R$ 4.149,00 em 2018.

Os produtos lácteos analisados neste estudo foram: creme de leite, leite condensado, iogurte funcional, iogurte grego, iogurte líquido, requeijão e leite longa vida. Na Tabela 1 são apresentadas algumas características do consumo desses produtos.

*O iogurte líquido foi incluído na pesquisa apenas em 2018 e por isso não apresenta dados para 2017.
Fonte: Abras. Elaborado pela autora.

Na Tabela 1 pode-se observar que o leite longa vida (UHT), o leite condensado e o creme de leite são os derivados do leite que estão presentes em quase todos os lares brasileiros, ou seja, todos eles têm mais de 89% de penetração. Já, os iogurtes funcional e grego apresentam taxas mais baixas de penetração por serem produtos lançados mais recentemente no mercado brasileiro.

Quando se analisa a classe econômica que mais comprou esses itens em 2018, nota-se que o iogurte funcional, o iogurte grego e o requeijão são produtos mais consumidos pela população de renda mais elevada (classe A/B), ao passo que todos os outros produtos tiveram na classe C o seu maior volume de compras. Aliás, considerando-se todas as 70 categorias analisadas no estudo, a classe C foi a responsável pelo maior percentual de compras (49%).

Já os dados referentes às famílias evidenciam que o iogurte funcional é mais consumido em lares com menor número de pessoas (1 a 2 pessoas) e, geralmente, sem crianças. Todos os outros derivados do leite são mais comprados por famílias com 3 a 4 pessoas, sendo que o iogurte líquido e o leite UHT estão mais presentes em casas que têm crianças. Essa informação corrobora um resultado de pesquisa do Milkpoint, realizada em 2009 que mostrou que a população brasileira via o leite como um alimento para crianças.

Quando se analisa o gasto médio com as categorias de lácteos, o leite longa vida se destaca fortemente, com gasto médio anual de R$ 250,00. Aliás, de todas as categorias de produtos analisados, o gasto médio anual com leite UHT perde apenas para fraldas descartáveis (R$ 412,00) e cerveja (R$ 338,00), estando à frente inclusive de refrigerantes (R$ 186,50) e café torrado (183,50).

O brasileiro manteve estável a frequência de compras para creme de leite e reduziu para leite longa vida. Ao contrário da maioria das 70 categorias analisadas no estudo, os demais produtos tiveram aumento na frequência de compras entre 2017 e 2018. As maiores frequências de compras ocorreram para leite longa vida, creme de leite e leite condensado.

O leite condensado foi o único produto com queda no tíquete médio (-4,3%) e o requeijão manteve o tíquete médio estável. Já os outros produtos tiveram incrementos que variaram de 2,7% (iogurte grego) a 7,4% (iogurte funcional). Outra informação interessante que se pode tirar da Tabela 1 é que os produtos lácteos que tiveram incremento tanto na frequência de compra quanto no tíquete médio são produtos mais consumidos pela classe A/B, ou seja, menos suscetíveis a crises econômicas.

Os três últimos indicadores analisados (gasto médio anual, frequência de compras e tíquete médio) mostram que, no geral, os lácteos tiveram um bom desempenho, destacando-se mais do que outros produtos típicos da dieta brasileira. Apesar do cenário econômico intimidador que provocou redução na frequência de compras da maioria dos produtos pesquisados, os lácteos, especialmente aqueles que têm um apelo para a saúde e bem-estar, ampliaram tanto a frequência de compras quanto o tíquete médio, evidenciando que esta tendência da busca por alimentos saudáveis, nutritivos e funcionais deve continuar.

Kennya B. Siqueira - Pesquisadora da Embrapa Gado de Leite
Coautor: Glauco R. Carvalho - Pesquisador da Embrapa Gado de Leite

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