Rede de Pesquisa e Inovação em Leite

Existe alguma diferença entre o leite longa vida produzido a partir de leite cru com baixas contagens de bactérias e células somáticas, comparado com aquele que foi obtido de leite cru com altas contagens? Sim! e são críticas para a qualidade do produto que vai ser vendido ao consumidor. E este, está cada vez mais atento ao que ele compra.

Leite de boa qualidade tem: (i) baixas contagens de células somáticas, isto é, células do próprio animal presentes no leite, que indicam que a vaca está sã, sem infeções no úbere, e (ii) baixas contagens de bactérias totais, indicando que a ordenha na propriedade foi feita de modo higiênico, seguindo regras que no conjunto são chamadas de “Boas Práticas de Produção”, ou “Boas Práticas na Fazenda”.

Ocorre que para que o leite seja processado, envasado e posto numa prateleira de supermercado para ser vendido, ele deve manter características que o consumidor aceite. No caso do leite cru de baixa qualidade, as indústrias acrescentam ao leite produtos químicos chamados de estabilizantes, que comprovadamente não causam problemas para a saúde dos consumidores, mas garantem a estabilidade das proteínas do leite durante o processamento e evitam a ocorrência de sedimentação na embalagem. A adição de estabilizantes como citrato de sódio e monofosfato de sódio deve estar estampada na embalagem do leite. E então, o consumidor ao ler esta informação, pode se recusar a comprar, alegando que o leite “está cheio de química”...

Conhecedoras dessa situação, algumas empresas, tradicionais no mercado, já produzem leite sem estabilizantes, como demonstrou uma reportagem recente do jornal Valor Econômico. Mas isso só é possível se o leite cru entregue no laticínio for de boa qualidade. Portanto as indústrias investem no treinamento em Boas Práticas de Produção e dividem com os produtores os custos de treinamentos, cursos, assistência técnica, e realizam a análise do leite regularmente, por algum laboratório da Rede Brasileira de Qualidade do Leite. Ao vender, a indústria apresenta a diferença de um produto para o outro como “mais natural”, “sem aditivos”, “não contém estabilizantes”, e o consumidor escolhe então esse produto, mesmo que seu preço seja um pouco acima da concorrência.

O produtor deve esperar que o comprador do seu leite exija a adoção de boas práticas de produção? É o que ocorre em geral, mas o produtor consciente, interessado em ter seu leite mais valorizado, que é a forma da indústria reconhecer um parceiro importante, deve começar a fazer a sua parte. Leite de boa qualidade significa lucro, rebanho produtivo, porque os animais não estarão doentes. Significa também que as atividades de ordenha e armazenamento do leite são realizadas corretamente.

Nos Estados Unidos a qualidade do leite cru é tal que o leite pasteurizado, e não o longa vida é o de maior consumo. A embalagem mais conhecida é um galão de quase quatro litros, porque o leite dura mais de uma semana na geladeira. Ainda vai demorar para chegarmos a este nível, mas como a tendência do Brasil é de se tornar um país exportador de lácteos, a qualidade é uma parte importante que necessita da contribuição de cada um dos produtores para alcançarmos esse objetivo. Faça sua parte! Procure se atualizar nas boas práticas para utilizá-las na sua propriedade. Várias oportunidades de treinamento existem nas indústrias, cooperativas, e nas organizações do setor, sem falar na internet. Seu custo será praticamente o tempo investido no treinamento, e o lucro virá no aumento do valor do seu leite.

Pedro Braga Arcuri
Pesquisador da Embrapa Gado de leite

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