Argentina, Uruguai e Chile estão trabalhando na implementação de um protocolo de bem-estar animal em vacas leiteiras a nível regional, através de um projeto iniciado há um ano e meio em Punta del Este. Foram avaliadas 900 fazendas leiteiras, padronizando os parâmetros que definem as condições ótimas nas quais os rebanhos devem que ficar.

A Boehringer Ingelheim convocou uma reunião para conhecer os primeiros resultados da implementação de um protocolo sobre bem-estar animal em fazendas leiteiras. "O objetivo dessa reunião era ver quais eram as dificuldades para a implementação do protocolo, para corrigi-lo e torná-lo amigável e, finalmente, definir um informe único para os três países", disse o responsável pela linha de pecuária para Argentina, Chile e Uruguai da Boehringer Ingelheim, Juan Manuel Nimo.

Nimo disse que a iniciativa surgiu há um ano e meio quando os especialistas decidiram se unir com a ideia de compartilhar o que estavam trabalhando em matéria de bem-estar. "Percebemos que seria bom ver como estavam todas as fazendas leiteiras, não somente da Argentina, mas também o Chile e do Uruguai, que têm características similares de produção, poder avaliar e ver quais são os pontos fracos, que medidas poderiam ser implementadas e, posteriormente, ver que benefícios se obtêm com isso".

Nesse sentido, ele disse que os três países estão em níveis similares no que se refere às condições dos animais, das instalações, dos sistemas de produção e, inclusive, da maioria dos problemas.

Esse protocolo transitório de auditoria em fazendas leiteiras sobre o qual os especialistas estão trabalhando foi elaborado a partir dos protocolos vigentes na Europa, elaborados pelo Welfare Quality e utilizados pelas autoridades da União Europeia (UE) para promover a legislação existente. "Os sistemas de produção e a idiossincrasia de nossos produtores e operários obrigam a elaborar protocolos diferentes aos europeus, mas baseados em sua ampla experiência na área", disse o reconhecido especialista no assunto, Mario Sirvén.

O mundo inteiro está começando a conscientizar sobre a necessidade de pensar nesse assunto. Os consumidores buscam alimentos gerados em condições amigáveis para os animais e os produtores entendem que o bem-estar animal impactará diretamente na qualidade do produto final. "O que apresentamos nessa reunião serviu não somente para avaliar os resultados, mas sim, para deixar mais um passo nessa tarefa de trabalhar sobre algo que, embora não seja novo, só recentemente começaram a ser abordados em nosso meio", disse Sirvén.

Na Argentina, as informações foram apresentadas por Antonio Leiva, responsável pelo tema bem-estar animal da Sancor. Ele citou como exemplo que, considerando que a maioria das fazendas avaliadas estão localizadas em regiões de altas temperaturas, onde o estresse calórico causa importantes quedas na produção e na fertilidade, 50% não têm elementos para prevenção ou redução do problema.

Essas auditorias também evidenciaram a falta quase total do uso de analgésicos para intervenções dolorosas, como por exemplo, o descorne dos bezerros.

Outro especialista que passou dados sobre o nível de bem-estar das fazendas argentinas foi Roberto Albergucci, veterinário independente e especialista em qualidade do leite e bem-estar. Ele avaliou exclusivamente rebanhos de vacas em produção e instalações de ordenha. "Uma das mais importantes conclusões que se chegou foi que a boa qualidade do leite se obtém com vacas em bem-estar e que o bom trato, ainda que em instalações 'complicadas', traz bons resultados", disse Sirvén.

No Chile, foram avaliadas cerca de 50 fazendas e mais de 10.000 vacas em ordenha a partir do trabalho: "Protocolo de Avaliação de Bem-Estar Animal", que inclui condição corporal, lesões de pele, escala de limpeza, score de locomoção, zona de fuga, entre outros itens.

O representante da Universidade Austral do Chile, Néstor Tadich, disse que todos os rebanhos avaliados se encontravam sob um sistema de produção a pasto e que o estudo foi realizado na primavera-verão. A grande maioria mostrou uma situação boa de bem-estar animal, mas poucos tiveram bons valores em todos os itens.

A professora da Faculdade de Veterinária da Universidade da República do Uruguai, Elena de Torres Tajes, destacou que no Uruguai também se encaminha ao que ocorre na Argentina, mas em outro ritmo. "Lá, o sistema de produção é mais pastoril que aqui, porque estamos em uma evolução para uma maior concentração de animais e onde os animais ficam menos tempo no campo pastando; a evolução é mais lenta".

FONTE: MILKPOINT*

*A reportagem é da Revista Infortambo, traduzida e adaptada pela Equipe MilkPoint.

Enviar-me um e-mail quando as pessoas deixarem os seus comentários –

Para adicionar comentários, você deve ser membro de Rede de Pesquisa e Inovação em Leite.

Participe da Rede de Pesquisa e Inovação em Leite