Rede de Pesquisa e Inovação em Leite

Carlos Renato Tavares de Castro
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Discussões de Carlos Renato Tavares de Castro

Produção orgânica de leite
1 resposta 

Alguns pecuaristas veem com muito interesse a possibilidade de produzir leite orgânico em suas propriedades devido ao mais elevado preço de comercialização que esse produto diferenciado alcança no…Continuar

Iniciou esta discussão. Última resposta de Luiz Carlos Britto Ferreira 16 Nov, 2010.

 

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Sistemas de Produção Sustentáveis

Prezados,
embora seja ampla a minha área de atuação como pesquisador, meus estudos contemplam, principalmente os aspectos inerentes à sustentabilidade dos sistemas de produção agropecuários. Acredito que sem a introdução de árvores em tais sistemas é impossível o alcance da tão almejada sustentabilidade.
Por muitos anos a presença de árvores em pastagens foi vista como antagônica ao processo de crescimento e desenvolvimento da pecuária. O interesse da sociedade contemporânea pela associação de árvores/arbustos com pastagens começou a se manifestar nos últimos vinte a trinta anos. Em diversos países, a sustentabilidade dos sistemas de produção agrícolas e/ou pecuários vem sendo ameaçada pela retirada do componente arbóreo-arbustivo para atender às demandas crescentes das populações rurais por madeira, lenha e forragem. O reconhecimento da importância que essas exercem na manutenção/reabilitação dos agroecossistemas é apontado como a principal causa desse interesse. Nas regiões tropicais e subtropicais é ainda mais evidente a contribuição das árvores/arbustos para o incremento da produção, qualidade e sustentabilidade das pastagens.
São diversos os benefícios decorrentes da manutenção/introdução de árvores/arbustos nas pastagens cultivadas, os quais se manifestam sobre os seus diferentes componentes (clima, solo, microrganismos, plantas forrageiras e animais) em maior ou menor extensão conforme as espécies arbóreas/arbustivas associadas: exploração de camadas mais profundas do solo, absorvendo nutrientes e disponibilizando-os, por meio da decomposição de sua biomassa (serrapilheira composta por folhas, flores, frutos e galhos), nas camadas mais superficiais do solo, ao alcance das raízes das espécies forrageiras herbáceas; amenização ambiental por meio do provimento de sombra, com efeitos positivos sobre o conforto animal que repercutem em sua produtividade; o sistema radicular, mais profundo e com maior diâmetro, atua como suporte físico para o solo, reduzindo a ocorrência de deslizamentos em áreas declivosas; as copas ao interceptarem a água da chuva reduzem sua energia potencial, minimizando seu poder desagregador sobre as partículas do solo, efeito potencializado pela manta orgânica que se forma sobre o solo, devido à deposição da serrapilheira.
A conservação do solo e a preservação dos mananciais hídricos dependem, essencialmente, da manutenção de adequada cobertura vegetal; a manutenção dessa cobertura em áreas de pastagens lhes confere grande eficiência na prevenção e controle da erosão. A cobertura vegetal deficiente, como ocorre em pastagens degradadas ou em algum estágio de degradação, deixa o solo exposto aos efeitos prejudiciais dos agentes erosivos e em tais condições as árvores/arbustos exercem decisivo papel na sua conservação e na manutenção/melhoramento da sua fertilidade.
A copa das árvores/arbustos confere proteção física para a pastagem consorciada ao reduzir a velocidade dos ventos e o impacto da chuva na superfície do solo, contribuindo para minimizar as perdas de solo e a evaporação de sua umidade. Ao se controlar a erosão hídrica, reduzindo-se o escoamento superficial da água das chuvas, obtêm-se aumento de sua infiltração no solo, contribuindo para o reabastecimento dos lençóis freáticos. A morte e decomposição das raízes das árvores concorre para aumentar a porosidade do solo, também contribuindo para aumentar a taxa de infiltração de água.
São vários os estudos que constataram melhorias na fertilidade do solo de pastagens em áreas sob a influência das copas de árvores/arbustos e as espécies que possuem sistema radicular mais profundo são mais eficientes, uma vez que exploram camadas do solo fora do alcance das raízes das plantas forrageiras, geralmente mais superficiais. A incorporação gradativa da biomassa das espécies arbóreo-arbustivas ao solo é outra via para o seu enriquecimento e esse efeito é maior quando tais espécies são leguminosas capazes de fixar o nitrogênio atmosférico. Tem-se argumentado que o efeito do sombreamento aumentando a disponibilidade de nitrogênio para as forrageiras somente se torna significativo em situações em que existe deficiência de nitrogênio no solo da pastagem. Dessa forma, em solos sem deficiência desse elemento ou na presença de fertilização nitrogenada, o sombreamento não estimularia a absorção de nitrogênio, podendo até prejudicar a resposta das forrageiras ao nitrogênio aplicado como fertilizante.
As árvores/arbustos promovem modificações microclimáticas no ambiente ao seu redor, reduzindo a temperatura do ar e do solo, contribuindo para minimizar a evaporação e manter o solo com teor de umidade mais elevado. O efeito da sombra das espécies arbóreo-arbustivas sobre a temperatura do solo é ainda mais marcante, concorrendo para manter a sua maior disponibilidade de água, condição que favorece o crescimento das forrageiras em pastagens arborizadas. A literatura também contempla informações referentes ao papel das árvores/arbustos na redução dos extremos climáticos em áreas de pastagens, indicando que essa consorciação contribui para reduzir os danos provocados por geadas.
Além de contribuírem para atenuar as temperaturas extremas nas pastagens, o componente arbóreo-arbustivo proporciona condições de conforto para os animais, também servindo-lhes de abrigo, fatores que repercutem positivamente sobre o desempenho produtivo e reprodutivo dos animais. A disponibilização de sombra para os animais em pastagens das regiões tropicais, onde predominam temperaturas mais elevadas, influencia positivamente os hábitos de pastejo, possibilitando melhor distribuição da ruminação ao longo do dia. O estresse animal decorrente da temperatura ambiente elevada compromete a fertilidade do rebanho, podendo reduzir alguns índices zootécnicos como taxa de parição e peso ao nascer dos bezerros. Em pastagens arborizadas com espécies arbóreo-arbustivas forrageiras, ao benefício da sombra adicionam-se melhorias na nutrição dos animais.
As alterações ambientais decorrentes da sombra das árvores/arbustos afetam positivamente a atividade biológica do solo sob suas copas, havendo relatos de aumento da mineralização de nitrogênio em pastagens sombreadas quando comparadas com outras não sombreadas. Outra conseqüência observada em áreas sombreadas é o aumento da população de invertebrados do solo (macrofauna), principalmente de minhocas, as quais contribuem para a degradação da serrapilheira e para a ciclagem de nitrogênio.
A presença do componente arbóreo-arbustivos nas pastagens influencia o equilíbrio ecológico do agroecossistema. Embora proporcione condições favoráveis para o desenvolvimento de pragas das pastagens, essas mesmas condições são propícias ao surgimento de inimigos naturais dessas pragas, possibilitando, potencialmente, o controle biológico delas. Estudos em pastagens de Brachiaria decumbens constataram haver maior quantidade de ninfas de cigarrinhas nas áreas sombreadas, porém menor número de cigarrinhas adultas, além de significativa e maior ocorrência de seus inimigos naturais.
As alterações microclimáticas decorrentes do sombreamento e seus efeitos sobre os solos das pastagens, como maior disponibilidade de água e incremento da mineralização do nitrogênio, contribuem para o crescimento das forrageiras sombreadas. No entanto, outros efeitos acarretados pelas árvores/arbustos, como redução da luminosidade e competição por água e nutrientes, podem comprometer o crescimento das forrageiras em maior ou menor extensão conforme o nível de sombreamento imposto. A redução da luminosidade ambiente pode ser benéfica ou prejudicial para as forrageiras, dependendo de sua intensidade e de outras condições, como nível de nitrogênio no solo, tolerância das espécies forrageiras ao sombreamento, arquitetura da copa das espécies arbóreas/arbustivas consorciadas e do manejo da pastagem.
Diversos estudos comprovaram os benefícios da sombra moderada para o crescimento de espécies forrageiras, principalmente gramíneas, cujo crescimento foi favorecido quando a sombra variou de 50 a 70% de transmissão de luz em relação às áreas não sombreadas, efeito que, na maioria dos casos, foi associado a um aumento na concentração de nitrogênio na forragem, indicando sua maior disponibilidade no solo. Relatos sobre o comprometimento da produção de forragem em decorrência da sombra estão relacionados à sua intensidade excessiva. A intensidade da sombra natural pode ser modulada variando-se a densidade e o arranjo das árvores/arbustos nas pastagens, embora também esteja condicionada às características de crescimento dessas espécies, principalmente a arquitetura de suas copas: aquelas que possuem copas mais amplas, com maior diâmetro, requerem espaçamento maior e aquelas com copas pouco densas, mais ralas, proporcionam maior transmissão de luz para o sub-bosque.
A Arborização de Pastagens, integrando árvores/arbustos em pastagens ocupadas por animais herbívoros, é um dos tipos de sistemas silvipastoris, também conhecidos como sistemas agroflorestais pecuários, cuja prioridade é a produção animal (leite, carne ou lã), ao contrário de outras modalidades de sistemas agroflorestais que priorizam a obtenção do produto florestal (madeira, carvão, energia, frutas, resinas etc), nos quais a produção de forragem e, conseqüentemente, a obtenção do produto animal são considerados de menor relevância.

Blog de Carlos Renato Tavares de Castro

Árvores madeireiras para uso em sistemas agrossilvipastoris

Venho comentando sobre introdução de árvores e arbusto em pastagens, sobre os benefícios ambientais e da possibilidade de retornos financeiros para o produtor rural.



E uma indagação recorrente é: qual espécie devo usar?



Assim, tenho certeza que o texto abaixo será esclarecedor!



Árvores madeireiras para uso em sistemas agrossilvipastoris

Adaptado de Müller et al. (2009)



A introdução de árvores em áreas de pastagens é uma estratégia que tem… Continuar

Postado em 2 agosto 2010 às 10:00

Espécies Arbustivas com Potencial Forrageiro

Leguminosas Forrageiras Arbustivas (Adaptado de Xavier e Castro, 2009) A exploração forrageira de leguminosas arbustivas com altas produções de matéria seca e elevado teor de proteína bruta constitui alternativa viável para suplementação alimentar de ruminantes, principalmente no período seco. Com esta finalidade, as espécies arbustivas, leucena (Leucaena… Continuar

Postado em 2 julho 2010 às 11:30 — 2 Comentários

Sustentabilidade da produção das pastagens não rima com negligência na manutenção dos seus fatores de produção

Prezados,



é procedimento raro entre os típicos pecuaristas do Brasil o correto manejo das pastagens (manejo no sentido mais amplo e não apenas aquele relacionado ao controle da taxa de lotação e da extensão do período e pastejo) e a adoção de medidas simples, como a periódica adubação de manutenção das pastagens baseada na interpretação dos resultados da análise de solo, podem contribuir sobremaneira para a manutenção da produtividade forrageira dessas áreas, possibilitando a… Continuar

Postado em 30 junho 2010 às 12:49

Sistemas de Produção Sustentáveis

Prezados,



embora seja ampla a minha área de atuação como pesquisador, meus estudos contemplam, principalmente os aspectos inerentes à sustentabilidade dos sistemas de produção agropecuários. Acredito que sem a introdução de árvores em tais sistemas é impossível o alcance da tão almejada sustentabilidade.



Por muitos anos a presença de árvores em pastagens foi vista como antagônica ao processo de crescimento e desenvolvimento da pecuária. O interesse da sociedade… Continuar

Postado em 22 junho 2010 às 9:50 — 2 Comentários

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Às 14:13 em 13 janeiro 2012, Tainá Silvestre disse...
Ola, obrigada Carlos Renato.
Às 11:12 em 11 agosto 2010, Sanndro Cristianno B. Rodrigues disse...
Carlos Renato, bom dia! Novamente o agradeço pelo convite para participar da rede de contatos e aproveito esta oportunidade para parabenizar você e a Embrapa pelo trabalho desenvolvido e os resultados alcançados em prol do desenvolvimento agropecuário nacional. Dia 07/10/2010 às 19:30 hs estaremos realizando a cerimônia de encerramento do IX Torneio Leiteiro de Itaú de Minas. Gostaria de convidá-lo para fazer uma palestra de 20' sobre consórciação de espécies arbóreas com pastagens na abertura do cerimonial. Aguardo sua confimação.
Att.

Sanndro Cristianno B. Rodrigues
EMATER-MG/ Itaú de Minas
 
 
 

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