Rede de Pesquisa e Inovação em Leite

Senhores,
A Nova Zelândia se tornou dona do leite no mundo, porque desenvolveu um modelo de pecuária leiteira baseada em produção a pasto. Tem alta produção e produtividade com custo muito baixo.

No Brasil, apesar de toda a vocação que temos para produzir leite a pasto, meu sentimento é que nossa tendência tem sido copiar modelos americanos e europeus.

É obvio que a maioria das fazendas no Brasil produz seu leite basicamente a pasto.

Mas pergunte a produtores, qual é o modelo de produção que eles gostariam de ter se tivessem condição para isto. Ou, qual o modelo de produção que acreditam ser o ideal?

Acredito que 9 entre 10 produtores gostariam de ter vacas de 40 litros ou mais, dentro de um grande barracão climatizado, com um sistema robotizado de alimentação.

E se fizermos esta mesma pergunta para técnicos/consultores, 9 entre 10 vão dizer que este é o modelo que eles gostariam de instituir nas fazendas que assistem.

Mas e o pasto? E o clima propicio que temos? E a quantidade de terras que temos? E os animais adaptados ao clima tropical que possuímos? E a rentabilidade?

Vamos sonhar em ter vaconas de 50 litros criadas no ar condicionado e alimentadas com ração ou vamos sonhar com vacas médias criadas a pasto com ou sem suplementação?

Não sou contra dar ração. Sou contra desperdício de pasto. Mesmo nas fazendas mais tecnificadas nossa eficiência de pastejo é bem baixa. Acredito que a ração deve ser usada de forma estratégia e não de forma compensatória, para compensar a baixa eficiência de pastejo que temos hoje.

Sabemos tudo sobre o pastejo, sabemos corrigir o solo, a planta, os animais, só não estamos tendo sucesso em seu manejo. Sabemos a hora de entrar e sair com os animais dos pastos. Mas fazer o animal ficar onde queremos e não deixar com que ele escolha onde comer, ainda é um desafio no Brasil.

Se temos pasto rapado ou pasto passando, quem está comandando a fazenda é o gado e não seus gestores. Quantas fazendas conhecemos que tenha alta eficiência de pastejo? Por que isto é difícil no Brasil?

Lançar mão de dietas caras de forma compensatório torna a margem baixa, o risco alto e a possibilidade de quebra muito maior. Precisamos evitar a concentração da produção pecuária. Precisamos ensinar os produtores a serem produtivos com baixo custo e usar ração de forma estratégica.

Nos EUA, dificilmente teremos pastejo, na Nova Zelândia docilmente teremos confinamentos. No Brasil, podemos tirar proveito dos 2 modelos.

Na minha opinião, o que nos falta são informações sobre conceitos básicos de cerca elétrica. O resto já dominamos no Brasil ou existe a informação disponível. Mas, sobre a cerca elétrica, estas informações estão longe de serem dominadas.

Quantos volts mínimos devemos ter no arame para que os animais respeitem a cerca? Qual a potencia do eletrificador? Devo comprar por km ou por potencia? Como deve ser uma cerca em solos arenosos? Como aterrar? Como proteger de raios?

Nem mesmo estes simples conceitos são dominados por técnicos/consultores no Brasil e na Nova Zelândia esta tecnologia é matéria na graduação de cursos de ciências agrárias. Tecnologia mal empregada, vira problema e tecnologia dominada, vira solução.

Gostaria de contar com sua ajuda em treinar o mercado para que tenha sucesso com cercas elétricas e ter melhor eficiência de pastejo.

A cerca elétrica é a melhor colhedeira de pasto

Imaginem se o Brasil aprende a manejar bem os pastos da mesma forma como é feito na Nova Zelândia.

Neste link terá vídeos informativos sobre cercas elétrica Rurais:
Ernesto Coser Netto

Exibições: 161

© 2019   Criado por Embrapa Gado de Leite.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço