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Respostas a este tópico

Alessandro

no final você informou que a temperatura media de 30º era interessante para o Compost, mas esta temperatura também obriga o sistema de ventilação forçada trabalhar muito mais, correto? Se sim, não teremos um custo de energia inviavel para a operação?
outra pergunta, as fazendas que vocês trabalharam estão utilizando biodigestor com produção de energia para aliviar a conta de energia?
obg.

O cuidado em recomendar sistemas de alojamento como é o caso do "Compost Barn" tem que ser redobrado. Afirmar que um investimento como esse se paga em 1 a 3 anos é extremamente temeroso. Vejamos: como esse investimento se pagaria? Com o incremento em produção em última instância. Redução de gastos com medicamentos e leite perdido, melhora da qualidade do leite etc., são importantes, mas o leite vendido é que paga as contas. Qual seria o incremento esperado? Com um investimento da ordem de R$ 4.000,00 a 4.500,00 por animal alojado, deve ser pago com a "margem" deixada pelo leite incremental que possa ser creditado ao sistema. Aumentando-se 30% de leite no primeiro ano de utilização dessa instalação e assumindo uma margem de R$ 0,10 ou 0,20 por litro, isso daria um volume de 133.333 a 150.000 litros de leite por animal para pagar esse investimento. Se considerarmos R$ 0,20 de margem, seria a metade deste montante: 66.666 a 75.000 L/vaca, que de qualquer forma também uma impossibilidade. Conclusão: investimento impagável com a produção de leite.

Acho que houve um equívoco na forma de fazer cálculos de nosso colega Leovegildo . Se a produtividade subir 20% por causa da melhora do conforto e conversão alimentar, no caso de 20 litros de média diária para 24 litros por dia, daria um incremento de R$ 4,00 por dia, estimando o preço do leite em R1,00.  Para um período de lactação de 240 dias, seriam R$ 960,00 de incremento por animal. Assim se gastaria cerca de 4 lactações para pagamento do investimento. Isso se os custos permanecerem os mesmos.

Então uma amortização em 5 anos seria viável.

Entendo que o investimento no Compost Barn só teria viabilidade para vacas de elevado padrâo genético e sistema de alto nível de manejo. Também associar o sistema com produção de energia de biomassa ou  fotovoltaica seria interessante.

Caro Fernando, concordo com vc, a temperatura de 30º obriga o funcionamento do sistema de ventilação artificial, que no Brasil, de forma geral deve funcionar durante o dia, em temperaturas superiores a 16º. O que nós colocamos é que no clima tropical, o processo de degradação microbiologica (compostagem) é mais facilmente obtido em comparação com paises de clima temperado.

Quanto ao biodigestor, certamente ele pode aliviar a conta de energia e isso tem ocorrido em fazendas com compost barn até momento, o uso de placas fotovoltaicas ainda nao se tornou viável no meio rural.



fernando penteado disse:

Alessandro

no final você informou que a temperatura media de 30º era interessante para o Compost, mas esta temperatura também obriga o sistema de ventilação forçada trabalhar muito mais, correto? Se sim, não teremos um custo de energia inviavel para a operação?
outra pergunta, as fazendas que vocês trabalharam estão utilizando biodigestor com produção de energia para aliviar a conta de energia?
obg.

Caro Leovegildo, obrigado pela participação nesse forum e feliz 2018 para vc.

A resposta do Afrânio Otávio Nogueira é pertinente, e ele considerou aumento de produtividade de 20% por animal,  esse aumento pode ser ainda maior, caso o rebanho tenha potencial genetico para isso, nao é raro aumentos de 30, 40%, visto que ha um ajuste na dieta e fornecimento de conforto termico para os animais, aumentando e estabilizando a produção durante todo o ano. Alem disso, outros ganhos podem ocorrer, como redução de CCS o que pode aumentar bonificação no leite e ainda redução dos custos com medicamentos (antimicrobianos e parasiticidas). Outro fator detectado é redução do intervalo entre partos. Esses fatores somados podem pagar o investimento no prazo citado.

Prezados Afrânio e Alessandro:

Exatamente sobre esses perigos que estou alertando. Não existem milagres ou "matemágica". Aumentos em produtividade, seja 20 ou 25%, não ocrrem por benesse divina. Demandam nutrientes. Simples estequiometria. Aumento de produção, perisitência de lactação, melhoria na feritlidade, ganhos genéticos, etc. etc. demandam nutrientes, não tem como ser diferente. Não é possível contabilizar integralmente esse incremento na produtividade, sem contabilizar custos. Existe realmente um ganho na diluição dos custos fixos e diluição nos custos de mantenha das vacas, mas somente é possível contabilizar o que pode ser usado para amortizar investimento as margens deixadas. Não se pode esquecer que foram mudadas as dietas em detrimento do pasto mais barato, maiores custos com eletricidade, combustíveis, equipamentos, etc.  Não mudou apenas o sistema de estabulação e conforto animal. Continuo afirmando que se trata de investimento impagável com as margens possíveis deixadas pelo leite incremental. Muita responsabilidade em afirmar prazos para pagar tal investimento. Lamentavelmente, esse momento vivido no mercado doméstico do leite, trará muito choro e ranger de dentes para aqueles que precisam pagar tais investimentos.

Bom dia a todos.

Sou consultor de fazendas de pecuaria de leite no sul do Estado de Minas Gerais, Vale do Paraiba em SP e interior do Rio de Janeiro , e atualmente 90% dos clientes trabalham com confinamento , sendo 80% destes em composto.

Na minha experiencia pratica (nas nossas condições em relação a preços praticados, valor de terra, especialização dos animais) o sistema tem se pagado em no maximo 5 anos (sendo os melhores que aproveitaram as vacas gordas de 2016 e 1 semestre de 2017) , pagaram em 3. Este resultado esta sustentado principalmente em ganhos conretos em produtividades (5 a 12 litros por vaca) e melhorias de qualidade com aumentos consideraveis nos bonus por qualidade (sendo CCS o grande responsavel por esse incremento). Atualmente temos fazendas em composto recebendo só em qualidade de leite 0,15 por litro (media ano 2017).

Na minha opinião e acredito que na grande maioria dos pecuaristas (muito profissionais) da região onde trabalho , hoje é impossivel trabalhar fora de um confinamento. Foco é produtividade (por animal e area) com objetivo de diluir custos e produzir com excelente qualidade.

Avaliar a atividade leite somente por retrato pode ser perigoso e desencorajador (caso do últimos 6 meses pelo menos) , mas se conseguirmos trabalhar em um período mais longo e com planejamento e organização os resultados cm certeza apareceram.

Hoje ja é realidade não so composto para vacas em lactação , mas ja temos varios exemplos de fazendas confinando todo o rebanho , facilitando gerenciamento e buscando aumento de eficiência com redução de custo por litro.

Tenho certeza que seremos nos proximos anos o maior conhecedroes de composto do mundo e acredito muito no sistema nas nossas condições.

Att

Eduardo Brito

Nada como a experiência ... Realmente há aumentos dos custos de produção com mais silagem e menos pastagem, e possivelmente um pouco mais ração, mas o conforto térmico com diminuição de caminhadas aumenta a conversão alimentar, o que em alguns casos pode até reduzir alimentação e aumentar a produtividade.  O aumento da bonificação pelo aumento de qualidade também ajuda a pagar os aumentos de gastos como energia e mão de obra. Conheço apenas um composto que teve aumento também da qualidade de sólidos (proteína e gordura) com aumento do bônus.  Entendo que para nossa realidade tropical o sistema de gado meio sangue a pasto é o mais eficiente para a maioria das propriedades, com produtividade por animal entre 10 e 15 litros/vaca/dia. Já para sistemas de produção com animais puros, para médias altas (25 a 30 litros por vaca/dia) raramente se consegue bons resultados em sistemas a pasto.  No verão, calor, com muito pasto, as vacas holandezas só querem ficar na sombra. Mas realmente precisamos abaixar os custos da estrutura do composto e diminuir gastos com energia que tem sido os maiores pesos no sistema.

Caros Eduardo Brito e Afranio, aqueles que trabalham com rebanhos com medias mais altas, de 30, 35 litros ou mais, precisam fornecer conforto termico aos animais e tambem bom manejo nutricional ao longo de todo o ano, o composto permite isso, é importante dizer que o composto permite estabilização da produção durante todo o ano, ou seja, é possivel fazer programação da produção, isso é bom para o produtor e para industria. Essa semana vi reportagem que um laticinio na Europa começa a dar maior bonificação no preço do leite para fazendas que possuem manejo que respeite o bem estar animal e tem boas praticas de manejo sanitario, o consumidor quer consumir leite dessas propriedades, isso vai acontecer no Brasil tambem. Bom final de semana a todos.

Bom dia a todos,

Hoje oque vocês acham de quem quer começar um rebanho leiteiro, deve começar com confinamento em compost barn ou a pasto? Qual gera mais lucro por litro de leite? Pois estava fazendo contas e aqui na minha região, Sul de minas gerais, o leite pago ao produtor chega a ser R$1,10 e e pelas minhas contas aqui gado a pasto custa em torno de R$0,50 a R$0,60 o litro do leite. Oque seria mais viavel, dimiuir o lucro do leite e tirar mais leite, ou manter o custo baixo tirando menos?

Quero começar um rebanho, tenho 40ha de terras, sendo cerca de 27ha que posso trabalhar a pasto. Oque vocês indicam.

Boa semana a todos!

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