Rede de Pesquisa e Inovação em Leite

Continuando nossas discussões, sobre melhoramento genético sustentável, vamos abordar um pouco sobre a consanguinidade em rebanhos de leite. Em algumas propriedades, a consanguinidade representa um sério problema devido à utilização de alguns poucos touros famosos e seus descendentes ao longo das gerações. Mas, o que é consanguinidade?

A consanguinidade é um sistema de acasalamento que consiste na união de indivíduos com certo grau de parentesco. Quando o indivíduo é consanguíneo há uma maior probabilidade de receber genes idênticos, já que seus pais são parentes, ou seja, apresentam um ou mais ancestrais comuns. Dessa forma, é possível, a transmissão e expressão de genes de efeito favorável ou desfavorável no indivíduo consanguíneo.

De acordo com alguns artigos disponíveis na literatura, para cada 1% de aumento da consanguinidade, em geral, existe uma redução, de aproximadamente 22 kg de leite. Nas raças Gir e Guzerá considerando o período de 1979 a 1998 houve um aumento do coeficiente de consanguinidade em 2,28% e 1,75%, respectivamente (Faria et al., 2009). A fim de esclarecer, o coeficiente de consanguinidade de um indivíduo é igual à metade do grau de parentesco entre seus pais.

Diante da experiência de vocês, como produtor ou profissional, a consanguinidade tem sido muito utilizada como sistema de acasalamento em rebanhos de leite? Quais vantagens e desvantagens vocês puderam observar?

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Respostas a este tópico

Olá Sidney,

Suponho que você esteja falando da raça Girolando, com a qual você trabalha em sua propriedade.

Em consulta a duas teses realizadas no Brasil com a raça Girolando (Rodrigues, 2006) e também, Girolando e Holandês (Lima, 2005), a frequência do alelo A foi maior do que a do alelo B para o gene da kappa-caseína. Ou seja, a maior parte das vacas, nos rebanhos estudados, apresentaram genótipos AA (80% e 66% respectivamente), seguidas por vacas com genótipos AB (20% e 32%) e BB (0 e 2%).

Inicialmente, para pensarmos na seleção para o alelo B seria interessante utilizar touros BB, mas diante do número reduzido desses touros poderia utilizar touros AB. O processo de seleção seria mais lento e haveria menor probabilidade da ocorrência de animais BB. Mas, de qualquer forma, já representaria algum ganho, com maior teor de proteínas no leite de vacas AB em relação à vacas AA.

De acordo com trabalhos que vêm sendo publicados desde a década de 90, o uso de leite de vacas com genótipo BB para kappa-caseína, resulta em menor tempo de coagulação para o preparo de queijo, formação de coágulo com maior densidade, assim como maior produção de queijo em relação ao leite de vacas com genótipo AA para kappa-caseína. Além disso, vacas com genótipo BB para kappa-caseína e BB para beta-lactoglobulina produzem leite com maior composição proteica, aumentando o rendimento de fabricação do queijo.

É importante considerar também o preço do sêmen a ser utilizado além da existência de pagamento diferenciado pelo leite de melhor qualidade.

Seguem os links das teses:

http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/SSLA-7U5...

YgorViniciusReadeLima.pdf



Sidney Alves Bastos disse:

Falando em desenvolvimento genético percebi que no ultimo sumario de touros uma das caracteristicas analisadas é a capacaseina. O interessante que só encontrei um touro homozigoto, para esta característica. Se essa característica é interessante vai ser muito demorado eu ter o rebanho com os alelos iguais pois 99% dos touros são heterozigotos. Imagino que minhas matrizes também sejam heterozigotas.

Enfim, como planejar esse melhoramento? Será que estas características já estão bem dominadas para que façamos esta escolha?

Oi Glaucyana,

Estou disponibilizando os dois artigos que comentei.

Se alguém se interessar tenho bastante artigos discutindo endogamia.

Abraços a todos,

Carlos


Glaucyana Gouvêa dos Santos disse:

Olá Carlos Henrique,

Muito interessante os resultados apresentados em sua discussão. Será que você poderia disponibilizar o link ou os trabalhos para download aqui no Repileite?

Assim como foi bem discutido por você é importante conhecer os efeitos da endogamia, sendo possível utilizá-la como ferramenta para o melhoramento genético ou buscando evitá-la quando percebidos os efeitos negativos no rebanho.

Obrigada!



Carlos Henrique Mendes Malhado disse:

Oi a todos,

Vou tentar ajudar. 

É verdade que a maioria dos trabalhos mostram os prejuízos da endogamia sobre muitas características de importância econômica. Nós chamamos isso de "Depressão por endogamia".

Contudo, a endogamia é prejudicial  em valores elevados, por exemplo, acima de 20 - 25%. Tem muitos trabalhos que mostram que em níveis moderados  (por volta de 7%), e endogamia pode ter efeitos benéficos sobre a produção (Thompson 2010). 

Tem um trabalho muito recente com bovinos de corte (e acredito que não seja muito diferente de bovinos de leite), em um rebanho com alta e acumulativa endogamia, que foram necessárias 7 gerações de endogamia para anular o progresso genético em 1 geração de seleção (Carrillo and F. Siewerdt, 2010). Assim, uma fraca seleção pode anular a depressão ocasionada por várias gerações de acasalemento endogamicos.

Finalizando... endogamia não é apenas vilã. Ela pode trazer benefícios, sem bem utilizada.

Um abraços,

Carlos

Anexos

Oi Carlos,

Obrigada pelos artigos.

Vou ler e continuamos nossas discussões.

Um abraço,

Glaucyana.

Carlos Henrique Mendes Malhado disse:

Oi Glaucyana,

Estou disponibilizando os dois artigos que comentei.

Se alguém se interessar tenho bastante artigos discutindo endogamia.

Abraços a todos,

Carlos


Glaucyana Gouvêa dos Santos disse:

Olá Carlos Henrique,

Muito interessante os resultados apresentados em sua discussão. Será que você poderia disponibilizar o link ou os trabalhos para download aqui no Repileite?

Assim como foi bem discutido por você é importante conhecer os efeitos da endogamia, sendo possível utilizá-la como ferramenta para o melhoramento genético ou buscando evitá-la quando percebidos os efeitos negativos no rebanho.

Obrigada!



Carlos Henrique Mendes Malhado disse:

Oi a todos,

Vou tentar ajudar. 

É verdade que a maioria dos trabalhos mostram os prejuízos da endogamia sobre muitas características de importância econômica. Nós chamamos isso de "Depressão por endogamia".

Contudo, a endogamia é prejudicial  em valores elevados, por exemplo, acima de 20 - 25%. Tem muitos trabalhos que mostram que em níveis moderados  (por volta de 7%), e endogamia pode ter efeitos benéficos sobre a produção (Thompson 2010). 

Tem um trabalho muito recente com bovinos de corte (e acredito que não seja muito diferente de bovinos de leite), em um rebanho com alta e acumulativa endogamia, que foram necessárias 7 gerações de endogamia para anular o progresso genético em 1 geração de seleção (Carrillo and F. Siewerdt, 2010). Assim, uma fraca seleção pode anular a depressão ocasionada por várias gerações de acasalemento endogamicos.

Finalizando... endogamia não é apenas vilã. Ela pode trazer benefícios, sem bem utilizada.

Um abraços,

Carlos

Glaucyana,

exatamente isso que eu queria entender. Se só temo hoje 1 touro BB a seleção para este item vai demorar um pouco não é? De qualquer forma este foi um exemplo. Queria entender como usar o sumario para melhorar meu rebanho. Na medida que o grupo de touros provados aumentar teremos mais touros para esta caracteristica.

Existem outros genes que mostram doenças e acho muito bom isso pois algumas raças como a holandeza tem uma fragilidade muito grande. Precisamos fortalecer os animais do Brasil selecionando para resistencia a algumas doenças.

No aspecto medidas lineares percebo que os sumarios mostram valores que pelo que eu entendo devem ser buscados ao selecionarmos nossos animais, estou certo? Um exemplo: altura da garupa. precisamos selecionar animais com garupa adequada para evitarmos problemas de parto. Acho que é assim que se usa não é?

Bom, existe uma tabela nos sumarios que mostra o touro e algumas caracteristicas. Dentro deste grafico temos valores de -3 a +3. Ai tenho muita dificuldade. Temos touros que são negativos em tamanho de teta. Então acho que ele deve reduzir as tetas nas filhas, estou certo?

Já outros são positivos para produção leiteira, então acredito que na média esse touro deve melhorar a produção leiteira em um valor semelhante ao PTA do touro.

Só falei o que acho mas não sei se está certo. Com um animal de exemplo poderemos discutir detalhes.

tem planteis consanguineos sem perda  de peso  ou lactacao  exemplo gir  zek   gir  eva gir  zs gir ena

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