Rede de Pesquisa e Inovação em Leite

A cultura de milho destaca-se em relação ao potencial para o processo de ensilagem, em função da facilidade de cultivo, altos rendimentos por área, e especialmente devido à alta produtividade de matéria seca de bom valor nutritivo. Extensas áreas são cultivadas para esse fim em diferentes partes do mundo, desde sistemas que adotam o confinamento e também, como suplemento volumoso, nos sistemas de produção a pasto.

 

A despeito do potencial de utilização do milho como forragem, estratégias de melhoramento e indicação de cultivares específicas para esse fim têm sido negligenciadas.

 

Por um longo período, melhoristas e agricultores, com o objetivo de produzir uma silagem de qualidade, assumiram que uma boa cultivar de milho para produção de grãos era adequada também para produção de silagem. Contudo com a especialização dos produtores e a maior competitividade do agronegócio do leite e da carne, cultivares específicas para cada uso final tem sido almejadas, visando máximo retorno econômico.

 

Neste contexto proponho aqui a seguinte discussão: Qual a importância de programas de melhoramento de milho especificamente voltados para a produção de silagem? Quais as características deveriam ser priorizadas?

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Respostas a este tópico

Muito interessante o tópico Juarez.

Acredito que o melhoramento da planta de milho para silagem deve focar a produtividade, alta proporção de grãos, manutenção de folhas verdes durante o enchimento dos grãos e, sobretudo, qualidade da fibra.

A melhor variável resposta, que incorpora todos esses conceitos, é a produtividade de matéria seca digestível, o que já vem sendo buscado em alguns testes de desempenho de híbridos de milho para a silagem.

Abraços,

 

Adorei o anuncio e a resposta, mas poderei indicar alguma variedade de milho que realmente tenha diferença ou resultado  na hora de alimentar os animais de leite.

E você sabe se a variedade AL BANDEIRANTE e uma boa opção para fazer silagem de milho.

Patrick Schmidt disse:

Muito interessante o tópico Juarez.

Acredito que o melhoramento da planta de milho para silagem deve focar a produtividade, alta proporção de grãos, manutenção de folhas verdes durante o enchimento dos grãos e, sobretudo, qualidade da fibra.

A melhor variável resposta, que incorpora todos esses conceitos, é a produtividade de matéria seca digestível, o que já vem sendo buscado em alguns testes de desempenho de híbridos de milho para a silagem.

Abraços,

 

Agradeço os comentários e o incentivo,

 

Realmente as avaliações do desempenho de híbridos de milho em relação à produção e a qualidade da silagem embasam o produtor em qual, ou quais cultivares utilizar.

 

Maiores informações poderão ser obtidas no próximo post sobre o tema, ou no link: 

http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/883849/1/CT103.pdf

 

Prezado Patrick, concordo plenamente que a produtividade de matéria seca digestível deverá ser enfatizada para que os ganhos genéticos sejam maximizados.

 

A despeito da importância das avaliações de cultivares de milho para produção e qualidade da forragem e das características a serem priorizadas, reafirmo a necessidade de estratégias de melhoramento genético específicas para esse fim. O que vocês acham?

 

 

Juarez, excelente tópico!

Estou fazendo uma revisão sobre o assunto e estou vendo que nosso país precisa avançar ainda..

Vc está trabalhando nesta linha?

Abraço

O melhoramento deve ser do grão, visto que o milho brasileiro é do grão extremamente duro se comparado com o dos EUA.

Obrigado Tainá e Ronaldo,

Realmente essa é uma área que precisamos avançar. Normalmente os híbridos de milho indicados para produção de silagem são produtos de melhoramento genético desenvolvido para milho grão.

Envio-lhes material, publicado originalmente na Revista Balde Branco, que trata mais detalhadamente sobre o assunto.

 

Cordialmente,

Juarez

Anexos

Caro colega Juarez;

Boa tarde!
 Antes de mais nada, meus parabéns pelo Fórum.

Sem dúvida, um tema que merece ser explorado.

A propósito, concordo com o Ronaldo Marciano e gostaria de fazer algumas considerações.

Na última safra, o mercado de sementes no Brasil ofertou aos nossos produtores nada mais, nada menos que 479 cultivares de milho, sendo apenas 30 delas classificadas como dentadas (grãos de amido mais mole, com maior facilidade de absorção de nutrientes pelo animal em razão de sua elevada digestibilidade). Dessas 30 cultivares, apenas 10 são transgênicas, uma tendência de mercado bastante importante (atualmente, o Brasil cultiva cerca de 81% da área destinada ao milho com cultivares transgênicas, considerando safra e safrinha).

Em razão da pequena oferta de cultivares dentadas no país, o produtor mais tecnificado tem procurado por cultivares semidentadas, aumentando o leque de opções. Na última safra, foram ofertadas 68 cultivares semidentadas, das quais 33 eram transgênicas. Algumas destas cultivares são posicionadas para o mercado de silagem e outras para grãos. A propósito, vale ressaltar que alguns especialistas no assunto afirmam que cultivares de grãos semiduro também podem ser indicadas para a produção de silagem sem maiores riscos inerentes à baixa digestibilidade da fração amido, desde que se invista na colheita com automotrizes, capazes de potencializar a degradação dos grãos de milho.

Em razão destes apontamentos, vale a pena comentar sobre estudos  comparativos que estão sendo conduzidos pelo Prof. Marcos Neves Pereira da Universidade Federal de Lavras (UFLA) entre cultivares de grãos duros e cultivares de grãos dentados com relação à degradabilidade efetiva do amido no rúmen do animal alimentado com silagem. A degradação do amido proveniente de grãos dentados, de amido farináceo, alcançou 77,4%, enquanto a degradação do amido de grãos duros não passou de 48,5%. Essa diferença precisa ser compensada com a adição de uma maior volume de concentrado (ração). Há relatos de acréscimo de até 2,0 L/dia de leite quando os animais são alimentados com silagem proveniente de cultivares de grãos dentados. Ainda como vantagens a favor de cultivares de grãos dentados, são citados, entre outros, a maior janela de corte e não exigência de equipamentos de colheita muito eficientes no aspecto de quebra de grãos, uma vez que o dano físico é mais facilmente obtido nos grãos dentados do que nos grãos duros.

As cultivares de grãos dentados são as mais indicadas para a produção de silagem e a sua restrita oferta no mercado sementeiro no Brasil têm preocupado pesquisadores, professores, extensionistas e pecuaristas. Como alternativa, produtores mais tecnificados têm inovado, partindo para adaptações no sistema de produção como forma de enfrentar as limitações dos híbridos mais duros e obter uma silagem de maior digestibilidade, como por exemplo a colheita mais precoce e o uso de máquinas automotrizes com esmagadores de grãos, as chamadas crackers, efetuando a colheita, no máximo, quando os grãos alcançarem a metade da linha do leite, sendo o ideal com 1/3 da linha do leite.

A área destinada a produção de silagem de milho no Brasil representa entre 8 e 10% do mercado de sementes de milho no Brasil (1,3 e 1,5 milhões de ha). É uma questão de mercado, do tipo Oferta:Procura. Cultivares de grãos duros são as mais indicadas para a produção de grãos, o principal mercado de sementes de milho (90 a 92%), o que torna o mercado de sementes de de milho do tipo dentado/farináceo (silagem) menos atrativo para as empresas sementeiras. Apesar disso, comparativamente nos últimos anos, o mercado de sementes de milho com foco na ensilagem tem crescido proporcionalmente mais que o mercado de sementes voltadas para a produção de grãos. 

Conclusão:

Sendo assim, é fundamental que se invista em transferência de tecnologias sobre o assunto silagem, na capacitação dos extensionistas e produtores no sentido de conscientização sobre o que, de fato, deve ser prioridade enquanto pecuarista/produtor de leite, para que os mesmos passem a exigir sementes de cultivares de grãos farináceos/dentados. Caso contrário, as empresas produtoras de sementes não os produzirão por uma razão bem simples: como cultivares de grãos farináceos/dentados não apresentam demanda considerável, estas empresas focam seus programas de melhoramento genético no lançamento de cultivares que atendam a demanda da grande maioria.

No entanto, a fatia de 10% do mercado de sementes, embora pareça ser pequena, por si só justifica que as empresas sementeiras passem a destinar energia e recursos para a produção de cultivares, de fato, silageiros.

Quem não chora, não mama!

Aliás, vale uma reflexão, talvez assunto para outro Fórum: Semiduro x Semidentado. O critério está claro para extensionistas e produtores? Qual é a real diferença?

Sugestão de leitura: Revista Balde Branco/Julho 2013. Matéria: "Um milho mais adequado para ensilar". Segue anexo!

Cordialmente!

Anexos

Bom dia prezados,

Estou buscando informações aproximadas para calculo de área de plantil para silagem para o período de seca e de águas.

Para um gado com potencial de 7000kg/lactação (girolanda e jersey), em sitema de pastejo rotacional em capim tanzania, com suprimento de silagem de milho no cocho conforme o manejo adquado.

A região é a zona da Mata, próximo à embrapa de Coronel PAcheco MG. Período seco de maio a setembro.

As minhas questões são as seguintes:

Qual a produtividade de silagem de milho numa área de 1ha de plantação? Solo com adubação adequada e boa formação.

Qual o consumo diário/vaca em lactação de silagem por dia no periodo de de chuva 

Qual o consumo diário/vaca em lactação de silagem por dia no príodo de seca?

Quantas cabeças 1ha dividido em 12 piquetes com capim Tanzania (ou outro similar) pode supportar, com adubação adequada e sem irrigação e considerando o fornecimento de silagem no cocho, seguindo um manejo adequado entre pastejo e cocho.

Obrigado,

Luiz

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